
09/01/2024
A argentina Celeste Saulo, primeira mulher e primeira sul-americana a chefiar a OMM (Organização Meteorológica Mundial), quer priorizar os países mais vulneráveis frente à aceleração das mudanças climáticas e ao aumento dos fenômenos climáticos extremos.
"As mudanças climáticas são a maior ameaça mundial do nosso tempo e o aumento da desigualdade agrava seus impactos", disse Saulo em um comunicado publicado na quinta-feira (4) para anunciar que assumiu o cargo de secretária-geral desta agência da ONU.
"Vinda do Sul Global, sou plenamente consciente da necessidade de fazer um esforço para priorizar as necessidades dos mais vulneráveis", para que estes países possam desenvolver sua resiliência frente aos fenômenos extremos, acrescentou.
Saulo afirmou que muitos serviços meteorológicos e hidrológicos nacionais carecem de recursos e "até mesmo um pequeno aumento do investimento gera enormes benefícios socioeconômicos para nossas comunidades".
A nova chefe da OMM, que sucede o finlandês Petteri Taalas, foi eleita em junho passado.
Saulo dirigia desde 2014 o Serviço Meteorológico Nacional argentino e era primeira vice-presidente da OMM.
A argentina vai encabeçar as atividades realizadas pela comunidade meteorológica mundial "para transformar os conhecimentos científicos nos melhores serviços possíveis para a sociedade", diz ainda o comunicado.
Grande parte do trabalho da OMM consiste em usar e compartilhar o trabalho das agências meteorológicas nacionais sobre os gases de efeito estufa, o nível do mar, as temperaturas, o degelo de glaciares e outros indicadores das mudanças climáticas.
Recentemente, a organização estabeleceu como prioridade conseguir que toda a população mundial esteja coberta por sistemas de alerta precoce para riscos meteorológicos até o fim de 2027.
Os Estados-membros da OMM também aprovaram no ano passado a criação da Vigilância Global de Gases de Efeito Estufa, para contabilizar tanto os sumidouros naturais desses gases quanto as emissões relacionadas às atividades humanas
"Acabamos de passar pelo ano mais quente já registrado, e 2024 pode ser ainda mais quente e extremo, se os efeitos do atual episódio do El Niño forem plenamente sentidos nas temperaturas e nos fenômenos meteorológicos", disse Saulo na quinta-feira.
"As atividades humanas e industriais são claramente responsáveis [por essa situação]", afirmou.
Fonte: Folha de S. Paulo
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