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Transição verde e energia cara desafiam economia da Alemanha

02/01/2024

Bernd Hofmann fundou sua empresa de metalurgia há 56 anos. Ele viu muitos altos e baixos, desde então —o choque do petróleo na década de 1970, a agitação da reunificação alemã em 1990, a crise financeira mundial de 2008. Mas nada como o que está presenciando agora.
"É uma das piores fases que já vivi", diz Hofmann, 80.
A empresa de Hofmann, a Femeg, fabrica medidores de água, válvulas de segurança e peças de precisão para as indústrias automobilística e química e se tornou vítima de uma desaceleração que está despertando sérias dúvidas sobre o futuro do muito elogiado modelo de negócios da Alemanha, cuja base é a exportação.
A economia alemã está estagnada. As exportações e produção industrial do país estão em declínio, a inflação está desacelerando a demanda de consumo, e o setor de construção está sofrendo com as taxas de juros altas.
Os líderes empresariais alemães já estão acionando os alarmes. Praticamente "todas as economias europeias estão crescendo, com exceção da Alemanha", diz Rainer Dulger, presidente da BDA, a principal organização setorial de empregadores do país. "Esse é um sinal claro de que temos que agir."
De fato, o FMI (Fundo Monetário Internacional) previu que a Alemanha teria o pior desempenho entre as grandes economias em 2023, com um PIB (Produto Interno Bruto) que deve encolher 0,5%. O FMI citou a demanda mais lenta por parte dos parceiros comerciais do país e a fraqueza em setores sensíveis às taxas de juros altas. Em contrapartida, a economia dos EUA deve crescer 2,1%, e a da França, 1%.
Os especialistas sabem exatamente por que a Alemanha está enfrentando essas perspectivas singularmente sombrias. O país sofreu um impacto muito maior do que diversas das outras grandes economias com o aumento dos preços da energia em 2022, em parte porque abriga muitas empresas industriais que respondem por grande consumo de gás natural. O endurecimento da política monetária do BCE (Banco Central Europeu), para combater a inflação, também teve seu preço, assim como a recuperação lenta do comércio com a China, o maior parceiro comercial de Berlim.
Robert Habeck, ministro da Economia da Alemanha, admitiu em outubro que o país estava saindo da crise "mais lentamente do que esperávamos".
Mas alguns dos desafios que o país enfrenta parecem ser duradouros. As empresas reclamam cada vez mais da alta do custo de fazer negócios na Alemanha —a carga com que elas arcam em razão das políticas relativas à mudança do clima, dos altos impostos e da energia cara. Os empresários se queixam da terrível escassez de trabalhadores qualificados e da burocracia excessiva.
"Estamos conversando com o governo sobre inteligência artificial, mas, nos escritórios deles, os funcionários públicos todos ainda têm aparelhos de fax", diz Dulger. "Isso simplesmente não dá certo."
Enquanto isso, a ascensão dos veículos elétricos —e os avanços da China no mercado europeu de veículos elétricos— ameaça um setor que serve há muito tempo como um dos pilares do sucesso econômico da Alemanha.
Em nenhum outro lugar esse processo é mais evidente do que na área do sudoeste da Alemanha onde a Femeg e um grupo de outras empresas de metalurgia de médio porte estão sediadas. Um levantamento recente realizada pela organização de pesquisa IW Consult identificou a região de Donnersberg, que leva o nome da montanha homônima que domina a paisagem circundante, como uma das regiões alemãs que enfrentam os mais sérios desafios.

A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo

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