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Europa chega ao inverno após ano marcado por extremos climáticos

21/12/2023

Às vésperas do começo oficial do inverno no hemisfério norte —o solstício ocorrerá nesta sexta (22)—, época em que normalmente se inicia a temporada de esqui nas montanhas da Espanha, banhistas aproveitaram dias de praia em Málaga, no sul do país, onde os termômetros registraram 29,9°C em 12 de dezembro. Outras cidades espanholas também enfrentaram temperaturas atípicas para o período.
A Espanha se despede de 2023, portanto, da mesma forma como esteve em boa parte do ano: com ondas de calor. Segundo a Agência Estatal de Meteorologia espanhola, a frequência de eventos desse tipo no país triplicou na última década.
A ocorrência de eventos climáticos extremos também vem se multiplicando de maneira geral na Europa. De norte a sul do continente, os países europeus enfrentaram uma série de intempéries climáticas nos últimos meses.
A última edição do relatório Estado do Clima na Europa, publicada em julho, indica que o velho continente está aquecendo duas vezes mais rápido do que os demais.
O documento destaca que os resultados alarmantes "não podem ser considerados ocorrências únicas ou acasos do clima", sendo resultado concreto do aquecimento planetário.
Secas, incêndios florestais de grandes proporções, ondas de calor e derretimento inédito de gelo atingiram várias nações europeias, causando prejuízos econômicos e sociais.
"Nosso entendimento atual é de que o sistema climático e sua evolução nos informam de que esses tipos de eventos [extremos] são parte de um padrão que irá fazer extremos de calor mais frequentes e mais intensos pela região", diz Carlo Buontempo, do centro de monitoramento Copernicus.
Altamente dependente do turismo, a Grécia enfrentou uma série de grandes incêndios em plena alta temporada, em julho e agosto, os principais meses de férias do verão europeu.
Turistas e moradores precisaram ser resgatados de ilhas famosas, como Creta, em imagens que correram o mundo. A parte continental do país também foi severamente atingida.
Com temperaturas acima dos 40°C, Atenas chegou a fechar, nas horas de pico de calor, todos os sítios arqueológicos da cidade, incluindo a famosa Acrópole, por conta dos riscos à saúde dos viajantes.
Na mesma época, Espanha, Itália, França, Alemanha e Polônia também estavam sob alerta de condições climáticas extremas.
Em meio a uma das piores secas dos últimos anos, autoridades francesas passaram a adotar medidas de emergência para economizar água ainda em maio, durante a primavera. Em cidades no sul do país, região mais afetada, chegou a ser proibido, durante mais de um mês, atividades como encher piscinas ou lavar carros.
A seca contribuiu para a propagação de incêndios florestais. Um dos maiores aconteceu em agosto em Gironde, no sudoeste do território francês, destruindo casas e forçando a evacuação de milhares de moradores e viajantes.
Depois do calor intenso, foi a vez das inundações de grandes proporções. As mudanças climáticas têm contribuído para distúrbios nos padrões de chuvas, incluindo volumes atípicos de precipitação em curtos espaços de tempo.
Inundações rápidas e de grande proporções foram documentadas, entre outras localidades, na Eslovênia, na Noruega, na Alemanha e na Suécia.
O fim do verão, contudo, não representou o fim das anomalias climáticas.

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