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Consumo mundial de carvão, o mais poluente dos combustíveis fósseis, bate recorde em 2023

19/12/2023

O consumo de carvão no mundo bateu recorde em 2023, com 8,53 bilhões de toneladas queimadas deste combustível fóssil, anunciou nesta sexta-feira (15) a AIE (Agência Internacional de Energia), dois dias após o fim da COP28.
Apesar do compromisso assumido pelos países participantes na conferência do clima da ONU (Organização das Nações Unidas) em Dubai de fazer uma transição das energias fósseis, o ano de 2023 superou o recorde que havia sido estabelecido em 2022, segundo o relatório da AIE.
Os números coincidem com o fato de que 2023 será o ano mais quente já registrado, superando o recorde anterior, de 2016, como alertou o observatório europeu Copernicus no início de novembro.
A combustão do carvão, tanto para produzir energia como para o funcionamento das indústrias, é responsável por boa parte das emissões de dióxido de carbono (CO2). Este é o mais poluente dos combustíveis fósseis e o objetivo de reduzir a produção mundial consta em compromissos assumidos pelos países desde a COP26, em 2021.
A AIE destaca a tendência de alta do consumo na China, com aumento de 220 milhões de toneladas (4,9%) na comparação com o ano passado, e na Índia, com avanço de 98 milhões de toneladas (8%). Também foram queimadas 23 milhões de toneladas a mais na Indonésia, o que representou um aumento de 11%, segundo o relatório.
Ao mesmo tempo, o uso diminuiu consideravelmente na Europa, com 107 milhões de toneladas a menos (-23%), e nos Estados Unidos, com uma redução de 95 milhões de toneladas (-21%). O fechamento das centrais de carvão e o menor peso da indústria favoreceram a tendência nas duas regiões.
Na Alemanha, por exemplo, a maioria das centrais devem fechar durante os próximos três anos e o país substituirá as unidades por centrais eólicas ou solares. Já a França deseja fechar sua última central de energia elétrica alimentada por carvão em 2027.
A AIE admite a dificuldade de fazer previsões certeiras sobre a Rússia, quarto maior consumidor de carvão, devido à guerra na Ucrânia.
Segundo a agência, os níveis de 2023 representarão um pico no consumo de carvão, que diminuirá a partir de 2024.
É projetado um avanço das energias renováveis (como eólica e solar) em todo o planeta para "levar o consumo mundial de carvão a uma trajetória descendente". Apesar disso, a agência não prevê uma redução de seu uso na indústria.
Alguns países, como a Indonésia, registram situações paradoxais, como o aumento do consumo de carvão devido ao boom da extração de níquel para a fabricação de baterias para os carros elétricos.
A China, no entanto, continua sendo de longe quem mais utiliza o carvão, com 54% do consumo mundial. A agência prevê uma redução do consumo no país durante os próximos dois anos e que a Índia assuma a liderança no uso do carvão a partir de 2026.
A AIE foi fundada em 1974 no âmbito da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômicos).

Fonte: Folha de S. Paulo

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