
12/12/2023
Uma nova espécie de árvore foi descoberta por pesquisadores do Instituto de Biociências (IB) da USP, em parceria com o Instituto Tecnológico Vale e da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Batizada de Mollinedia fatimae em homenagem à professora Fátima Buturi, a novidade foi encontrada no Parque Estadual do Itacolomi, em Ouro Preto, Minas Gerais.
“Eu não estava buscando essa espécie, até porque não existiam evidências de sua existência ainda. Quando eu fui para Ouro Preto, vi essa planta e logo identifiquei que ela era pertencente ao grupo que eu estudo”, explica Danilo Zavatin, mestrando em Botânica pelo IB, ao Jornal da USP. O pesquisador explora a família Monimiaceae, que abrange 26 gêneros e 250 espécies por todo o mundo – desse total, cinco gêneros e 47 espécies podem ser encontradas no Brasil, principalmente no bioma atlântico.
Ele conta que o achado foi uma surpresa para a equipe, seja pela quantidade expressiva de pesquisas sobre a biodiversidade do Parque, seja por conta do próprio fato de encontrar uma nova espécie de árvore. “Árvore é uma coisa grande, que chama a nossa atenção. Nós não estamos falando de uma planta pequena escondida numa caverna. Além disso, a novidade nos surpreende ainda mais pelo fato de estar em um parque que já foi muito coletado”, conta Danilo.
O risco de extinção da Mollinedia fatimae foi caracterizado como “Criticamente em Perigo”, ou seja, que existe um perigo extremamente alto da espécie ser extinta na natureza.
O Parque Estadual do Itacolomi é uma unidade de conservação criada em 1967 e protegida pelo Instituto Florestal Nacional (IEF), que integra a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) do estado de Minas Gerais. Com mais de 7.543 hectares (h) de abrangência, a atração mais famosa é o Pico do Itacolomi, que tem 1.772 metros (m) de altura e pode ser vista de diversos pontos do centro histórico de Ouro Preto, tornando-se um dos principais cartões postais da cidade.
Localizado no Quadrilátero Ferrífero, a área é conhecida pelo seu alto grau de endemismo – ou seja, pelo grande número de espécies endêmicas, aquelas próprias de determinadas áreas e que detêm características muito específicas de sobrevivência. “Essa descoberta é muito interessante para reconhecermos a importância das unidades de conservação. Uma maior proteção da biodiversidade acabou possibilitando que essa espécie fosse encontrada”, coloca o pesquisador.
A fauna e flora do Quadrilátero Ferrífero sofrem não só com o avanço do desmatamento, mas com a atuação de agentes que buscam explorar a grande riqueza mineral da área. Em março deste ano a Semad identificou descumprimentos das normas ambientais após realizar visitas de inspeção em 31 empreendimentos de extração mineral.
Dentre as infrações observadas, foi possível encontrar supressões da vegetação nativa, o impedimento de regeneração natural de florestas e até a disposição irregular de resíduos. “Fora do parque, existem muitos riscos: a mineração, o fogo, o desmatamento. Isso torna as espécies muito mais suscetíveis a serem extintas.”
O processo de catalogação de uma descoberta implica em pedido de avaliação de status de ameaça pelo Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora). O risco de extinção da Mollinedia fatimae foi caracterizado como “Criticamente em Perigo”, ou seja, que existe um perigo extremamente alto da espécie ser extinta na natureza.
Em vista disso, é necessário estudar sua ocorrência em áreas fora do parque e coletar mais informações sobre a planta. “É preciso tentar entender se existe outra população fora do parque e onde ela se localiza, já que a região pode ser área de interesse de mineração e colocar a planta em risco”, afirma Zavatin. O pesquisador ainda ressalta que a descoberta abre portas para outras áreas do conhecimento realizarem suas pesquisas acerca das propriedades da planta, além de relembrar a importância de conservarmos a biodiversidade do Quadrilátero Ferrífero.
Os resultados achados pela equipe de pesquisadores foram descritos no artigo “A new species of Mollinedia (Monimiaceae, Laurales) from the Quadrilátero Ferrífero, Brazil”, publicado na revista Phytokeys. Para mais informações, envie um email para Danilo Alvarenga Zavatin (danilozavatin@ib.usp.br).
Fonte: CicloVivo
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