
12/12/2023
O crânio de um animal marinho colossal foi extraído dos penhascos da Costa Jurássica de Dorset, no sul da Inglaterra.
Ele pertence a um pliossauro, um feroz réptil subaquático que aterrorizou os oceanos há cerca de 150 milhões de anos. Um dos cientistas responsáveis pela descoberta disse que o fóssil é como se fosse uma espécie de "tiranossauro subaquático" — dadas as suas dimensões e suas características predatórias.
🦕 O fóssil de 2 metros de comprimento é um dos mais completos do seu tipo já descobertos e pode fornecer novas pistas sobre esse antigo predador.
Não há nenhum outro animal que se compare a ele, acredita o paleontólogo Steve Etches.
"É um dos melhores fósseis com que já trabalhei. O que o torna único é que está completo", diz ele à BBC News.
"A mandíbula inferior e a parte superior do crânio estão interligadas, como estariam se ele estivesse vivo".
"Em todo o mundo, quase não há fósseis encontrados com esse nível de detalhe. E se estiverem, faltam muitos pedaços, enquanto este, embora esteja ligeiramente deformado — possui todos os ossos presentes", acrescenta.
👉 O crânio é mais longo do que a maioria dos humanos, o que dá uma ideia do tamanho da criatura. É impossível não prestar atenção a seus 130 dentes, especialmente os posteriores. Longos e afiados, eles poderiam matar com uma única mordida. Mas basta um olhar mais de perto para perceber que a parte de trás de cada dente possui finas saliências.
Isso teria ajudado o pliossauro a perfurar a carne e depois extrair rapidamente suas presas, pronto para um segundo ataque rápido.
🦕 O pliossauro era uma máquina de matar e, com 10 a 12 metros de comprimento e quatro poderosos membros em forma de nadadeira para se impulsionar em alta velocidade, tornou-se um grande predador dos oceanos, dizem os especialistas.
"O animal era tão grande que acho que teria sido capaz de atacar qualquer coisa que tivesse a infelicidade de estar no seu espaço", diz Andre Rowe, da Universidade de Bristol, na Inglaterra.
"Não tenho dúvidas de que era como um tiranossauro subaquático."
Suas presas incluíam outros répteis, como o seu primo de pescoço comprido, o plesiossauro, e o ictiossauro, este semelhante a um golfinho.
Evidências fósseis revelam que o pliossauro possivelmente se alimentou até de outros membros de sua própria espécie.
A forma como este crânio fóssil foi recuperado é extraordinária.
Tudo começou com uma descoberta casual durante um passeio por uma praia perto da Baía de Kimmeridge, na famosa Costa Jurássica do sul da Inglaterra, considerado Patrimônio da Humanidade da Unesco, o braço da ONU para educação, ciência e cultura.
Amigo e colega entusiasta de fósseis de Steve Etches, Phil Jacobs, encontrou a ponta do focinho do pliossauro caído no cascalho. Não conseguiu carregá-lo sozinho devido ao peso, então, chamou Steve, e a dupla montou uma maca improvisada para levar o fóssil para um local seguro.
Mas onde estava o restante do animal? Um levantamento feito por drones identificou um local provável. O problema era que a única maneira de escavá-lo era descer de rapel do topo da falésia.
Remover fósseis de rochas é sempre um trabalho árduo e delicado. Mas fazer isso pendurado em cordas em um penhasco em ruínas, 15 metros acima da praia, requer um nível de habilidade fora do comum.
A coragem, a dedicação e os meses gastos limpando o crânio certamente valeram a pena.
A reportagem na íntegra pode ser lida no g1
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