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Braskem é excluída do índice de sustentabilidade da Bolsa por desastre em Maceió

07/12/2023

A B3, Bolsa de Valores brasileira, anunciou na terça-feira (5) a exclusão da Braskem de seu índice de sustentabilidade em função do desastre ambiental causado pela empresa em Maceió.
A partir da próxima sexta (8), as ações da petroquímica serão eliminadas do ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial), que reúne companhias com boas práticas ESG (sigla em inglês ambiental, social e governança corporativa).
Segundo a B3, a decisão considerou aspectos como o impacto ESG da crise, a gestão da crise pela Braskem, o impacto de imagem e a resposta da companhia diante do problema.
Contudo, a Bolsa ponderou que a exclusão não deve ser tomada como "pré-julgamento das responsabilidades da companhia", mas decorre da aplicação da metodologia do ISE, que prevê a eliminação de empresas que se envolvem em incidentes que as tornem incompatíveis com os objetivos do índice.
Procurada para comentar, a Braskem não respondeu até a publicação deste texto.
Esta é a segunda vez que uma companhia é excluída do ISE por questões ambientais. A primeira foi a Vale, em 2019, após o desastre do rompimento da barragem de Brumadinho (MG).
Outras empresas já foram retiradas do índice, mas por motivos diversos. Além das revisões de carteira periódicas, Americanas e Light foram eliminadas por causa do pedido de recuperação judicial —que automaticamente implica na saída de todos os índices da Bolsa—, assim como a EDP Brasil, que fechou capital.
A metodologia do ISE prevê que, em caso de exclusão, a companhia fica proibida de integrar o índice pelos próximos dois anos. Ou seja, caso a petroquímica cumpra com as exigências, ela pode voltar à carteira em 2026.
Após um período fora do ISE, a Braskem havia voltado ao índice em 2022. Na época, a Folha questionou a Bolsa sobre a integração, tendo em vista o episódio em Maceió, mas a B3 disse que não comentaria casos específicos.
O maior desastre ambiental urbano em curso no país, que completou cinco anos em março de 2023, voltou a ganhar atenção após novos tremores sísmicos no local gerarem risco iminente de colapso.
O problema atinge uma área equivalente a 20% do território de Maceió e já fez com que cerca de 60 mil pessoas deixassem suas casas na capital alagoana.
Os primeiros tremores de terra registrados em março de 2018, que causaram rachaduras e afundamentos do solo em ruas, são o marco inicial do desastre. No ano seguinte, o Serviço Geológico do Brasil, órgão ligado ao Ministério das Minas e Energia, concluiu que as atividades de mineração da Braskem em uma área de falha geológica causaram o problema.

Termine de ler esta reportagem clicando na Folha de S. Paulo

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