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Por que o combustível que eu queimo todo dia no meu carro contribui para mais ondas de calor?

07/12/2023

As emissões do setor de transportes estão entre as que mais contribuem para as mudanças climáticas: representam 14% das emissões anuais. E o Brasil está entre os top 5 países com mais emissões nesse setor.

"Carros, caminhões, ônibus e motocicletas são os grandes responsáveis pelas mudanças climáticas", diz Alexandre Prado, especialista em Mudanças Climáticas do WWF-Brasil.
Prado explica que, no nosso país, apesar da presença de biocombustíveis, o transporte individual ainda é um significativo emissor de combustíveis fósseis e isso é um problema histórico. Os dados da última edição do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases do Efeito Estufa (Seeg) do Observatório do Clima nos ajudam a entender o por quê:

¬ Historicamente, a atividade de transporte é uma das maiores emissoras do setor de energia.
¬ Isso porque, a cada ano, as emissões de transporte vêm aumentando, afastando-se das curvas de outras atividades emissoras do setor.
¬ Em 2019, por exemplo, os modos de transporte emitiram 196,5 megatoneladas de CO2 equivalente (CO2e), um aumento de 1% em relação a 2018.
¬ Já no ano passado, veículos leves, ônibus e caminhões emitiram em cerca de 12 milhões de toneladas de CO2 a mais do que em 2021.

Por isso, especialistas alertam que se não agirmos urgentemente para deter a mudança climática impulsionada pelos combustíveis fósseis, ondas de calor e as demais condições climáticas extremas continuarão a ser cada vez mais comuns.
"Na matriz energética brasileira, o setor de transportes é o maior emissor de gases de efeito estufa. Se quisermos tratar da descarbonização do país, é fundamental que olhemos para a transformação desse setor como uma das prioridades", diz Marcelo Laterman, porta-voz do Greenpeace Brasil.
E refletir sobre o papel de nossos hábitos diários na crise climática é crucial. Embora individualmente não sejamos os únicos responsáveis pelo aquecimento global, é fundamental considerar o impacto de nossas rotinas na busca por uma vida mais sustentável.
"As emissões dos carros no nosso país, que foi planejado baseado majoritariamente no modal rodoviário, são altíssimas, assim como os desafios de descarbonização deste modelo", acrescenta Laterman.
Globalmente, de acordo com dados Agência Internacional de Energia (AIE), as emissões provenientes de viagens por estrada representam três quartos das emissões de transporte. E a maior parte dessas emissões tem como origem veículos de passageiros, como carros e ônibus, que contribuem com 45,1%. Já os caminhões de carga respondem por 29,4%.
E como o setor de transporte responde por 21% das emissões totais de poluentes, e o transporte rodoviário representa três quartos das emissões de transporte, fazendo alguns cálculos dá para dizer que, de acordo com as taxas mais recentes, o transporte rodoviário contribui com 15% das emissões totais de CO2 em todo o mundo (1% a mais que o indicado nos dados de 2014 do IPCC, conforme o gráfico acim).
"Então, a redução desse consumo e, obviamente, da sua produção e a eliminação são essenciais para a gente olhar [a questão do] 1,5ºC e reduzir ao máximo os efeitos que a gente já está vendo acontecer das mudanças climáticas", acrescenta Padro.
Esse número é o chamado “limite seguro” das mudanças climáticas.
É o limiar de aumento da taxa média de temperatura global que temos que atingir até o final do século para evitar as consequências da crise climática provocada pelo homem por causa da crescente emissão de gases de efeito estufa na nossa atmosfera.
Essa é uma taxa que é medida em referência aos níveis pré-industriais, a partir de quando as emissões de poluentes passaram a afetar significativamente o clima global.
Desde então, a quantidade de CO2 na atmosfera aumentou mais de 50% - e continua crescendo. Como consequência disso, o aquecimento global está fazendo o nosso planeta ficar mais quente, o que por sua vez está causando uma série de problemas e intensificando fenômenos naturais, como as ondas de calor, que também têm ficado cada vez mais frequentes.

A matéria completa pode ser lida no g1

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