
19/09/2023
Uma pesquisa feita pelo governo de Nova Iorque aponta que 95% de todas as roupas, sapatos e outros tecidos podem ser reciclados, ou seja, se transformar em matéria-prima para outros processos de produção. Infelizmente, as roupas usadas poucas vezes têm este destino e um grande exemplo deste cenário são as montanhas de peças que se acumulam no deserto do Atacama, no Chile, que já podem inclusive ser avistadas do espaço.
A indústria têxtil é uma das grandes poluidoras do planeta. Além de consumir uma quantidade enorme de água e recursos naturais na produção, usa produtos nocivos como corantes e tecidos com grande quantidade de plástico em sua composição – que acabam se tornando micro plásticos. Na outra ponta deste processo está o descarte dos produtos: globalmente são produzidos anualmente 92 milhões de toneladas de resíduos têxteis. Para se ter ideia da dimensão deste número, podemos imaginar que ele equivale a um caminhão de lixo com tecidos sendo jogados fora a cada segundo.
Nos Estados Unidos, cada pessoa joga “fora” (fora de casa, mas não do planeta) cerca de 70 quilos de têxteis por ano, o que equivale a 17 milhões de toneladas de lixo anual, das quais apenas 2,5 toneladas são recicladas. Sim, a reciclagem é uma possibilidade também para a produtos têxteis e precisa ser ampliada.
Os resíduos têxteis não são apenas um problema ambiental, mas também social. Com a ascensão do fast fashion nas últimas décadas, as roupas entram e saem de moda mais rápido do que nunca. As peças de vestuário são fabricadas de forma barata e rápida – muitas vezes por trabalhadores explorados – e a sua má qualidade significa que também vão durar pouco e ser descartadas rapidamente.
Estudos mostram que atualmente, compramos cerca de 60% mais roupas do que há 15 anos e ficamos com as peças durante metade do tempo. Mesmo quando as roupas são devolvidas aos varejistas, na maioria das vezes elas acabam em aterros sanitários, pois é mais barato do que colocá-las novamente em circulação – é o que acontece no Chile com a justificativa de que as peças que terminam no deserto seriam comercializadas.
A indústria da fast fashion é responsável por cerca de 10% de todas as emissões globais de carbono, que é mais do que as emissões de todos os voos e transportes internacionais combinados. Além disso, os tecidos tingidos são responsáveis por 20% de toda a poluição da água. Com tanto tecido sendo produzido, a reciclagem de têxteis pode ajudar a dar outra vida a um pedaço de tecido – roupa ou não – e limitar a produção de novos tecidos.
Assim como acontece com diversos outros materiais, reciclar resíduos têxteis é uma opção muito importante para a economia circular desta indústria. É urgente estimular a reciclagem e inserir novamente na cadeia produtiva aquilo que seria descartado e transformado em poluição. Mas, antes da reciclagem, existem outras opções ainda mais sustentáveis, os famosos Rs da Sustentabilidade.
A primeira alternativa é simplesmente repensar e recusar novas peças. Antes de comprar, ou até mesmo de produzir, é preciso avaliar a real necessidade deste item – “o produto mais sustentável é aquele que você não compra”.
Caso a compra e a produção sejam realmente necessárias, a qualidade e durabilidade dos produtos devem ser prioridades. Além disso, como consumidores, podemos optar por marcas que tenham um compromisso com a fabricação sustentável de suas roupas, diminuindo ao máximo o seu impacto ambiental e respeitando os direitos de todas as pessoas envolvidas no processo de produção.
Por fim, uma vez que as peças não vão ser mais usadas, elas podem ser doadas ou comercializadas em brechós e bazares – que também são ótimos lugares para quem quer fazer compras. Aí sim, depois de todas estas etapas, entra a reciclagem.
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