
16/09/2021
Um ovo de tubarão, uma imagem considerada rara pelos pesquisadores, foi encontrado no mar pela segunda vez, em menos de um mês, em Fernando de Noronha. O surfista e pescador local Erivaldo Alves Silva, mais conhecido como Nego Noronha, estava mergulhando quando fez o registro.
“Eu mergulhava para capturar polvo, quando vi um material que boiava e fiquei curioso. Não fazia ideia do que se tratava. Ao chegar mais perto, percebi que era um ovo de tubarão”, disse o pescador.
O avistamento anterior ocorreu no dia 26 de agosto, quando o fotógrafo Renato Magalhães estava nas proximidades da Ressureta, na Ilha Rata. O novo flagrante do ovo, também conhecido como bolsa de sereia, foi realizado na terça-feira (14), na região do Morro São José.
Nascido em Fernando de Noronha, o pescador de 43 anos contou que nunca tinha encontrado um ovo de tubarão, também conhecido como cápsula bolsa de sereia, e reconheceu do que se tratava por ter visto a reportagem do G1. Nego Noronha contou que, após fazer as imagens, deixou a cápsula no mar.
O engenheiro de pesca Léo Veras, especialista em tubarões, disse que, como o outro, esse é um ovo de um tubarão-lixa, uma das espécies que coloca ovos. Para o especialista, o novo registro é uma evidência positiva sobre a saúde do ecossistema local.
“Isso é uma evidência de que a população de tubarões está crescendo em Noronha. O tubarão-lixa, felizmente, deixa esse rastro de reprodução. A repetição do avistamento é positiva [e mostra que a política de] conservação está funcionando bem. Nos lugares onde existem muitos predadores, como tubarões, a base da cadeira alimentar está saudável”, avaliou Veras.
O estudioso, que mora há 31 anos e nunca viu no mar a "bolsa de sereia", disse, ainda, que o tubarão-lixa se reproduz a cada dois anos e, por isso, existe uma tendência de que ocorra um número maior de nascimentos em anos com números ímpares, como 2021.
“Em cada gestação, podem nascer de 20 a 30 filhotes. Os tubarões eclodem do ovo ainda dentro da fêmea. Os tubarões-lixas nascem com cerca de 30 centímetros de comprimento, é quando a fêmea expele o ovo”, detalhou Léo Veras.
Para o pesquisador, Fernando de Noronha pode ajudar a comprovar que a política de conservação em vigor tem resultado positivo.
Assista ao vídeo no G1
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