
02/03/2021
Contar os passos e o gasto calórico já virou rotina para muitas pessoas que praticam exercícios. Esses números, geralmente medidos por relógios digitais, ajudam quem quer perder peso ou simplesmente ter uma vida mais saudável.
Essa mesma tecnologia que fornece esse tipo de medição está sendo usada para salvar o mico-leão-preto, uma das espécies de primatas mais raras e ameaçadas do planeta.
Ao contrário dos seres humanos, os bichos não usam relógios, e sim, mochilas, colocadas por pesquisadores que estão estudando o comportamento do animal na região de Presidente Prudente (SP), no Oeste Paulista.
O objetivo é usar os dados em favor da preservação da espécie, que vive em pequenos fragmentos de vegetação no maior e mais preservado remanescente de Mata Atlântica do Estado de São Paulo, no Pontal do Paranapanema, na divisa com o Paraná e o Mato Grosso do Sul.
Através do equipamento, os pesquisadores vão conseguir analisar, por exemplo, o movimento migratório dos micos, a velocidade em que eles estão transitando e quanta energia está sendo gasta para eles se deslocarem. Tudo isso é medido por um GPS e um acelerômetro (usado para mensurar a aceleração de um objeto).
Até a primeira quinzena de fevereiro, quatro grupos de micos já estavam com as mochilas. A expectativa dos pesquisadores é de que mais três grupos recebam o equipamento ainda no primeiro semestre de 2021.
Com base nesses registros, os pesquisadores vão traçar estratégias capazes de melhorar a qualidade das florestas e apoiar os planos de ação para a conservação não só do mico-leão-preto, mas de primatas do Brasil e de todo o mundo.
Doutoranda e mestre em Ecologia, Evolução e Biodiversidade, a pesquisadora Gabriela Cabral Rezende diz que o objetivo é obter dados mais específicos – e cada vez mais precisos – sobre o mico-leão-preto.
“Será possível reconstruir o movimento deles e calcular, por exemplo, o gasto energético diário a partir dessa movimentação”, afirma.
Ela fala ainda que as pesquisas feitas em campo revelam as necessidades da espécie, “possibilitando a elaboração de estratégias para sua conservação”.
Essa pesquisa faz parte do Programa de Conservação do Mico-leão-preto, liderado pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) e que está entre as iniciativas de conservação mais duradouras do Brasil.
A luta pela preservação da espécie começou há mais de 35 anos.
O trabalho é realizado em parceria com o Laboratório de Primatologia (LaP), da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Rio Claro (SP), e com o Laboratório de Movimentação Animal (SLAM), da Universidade de Swansea, no País de Gales.
A mochila colocada nos macaquinhos – que, quando adultos, pesam em média 600 gramas –tem apenas 18 gramas e é o aprimoramento do colar de GPS, usado pela primeira vez em animais desse porte pelo IPÊ, no Brasil. Nessa nova versão, o equipamento ganhou o acelerômetro.
As informações registradas na mochila são essenciais para os próximos passos do Programa de Conservação do Mico-leão-preto.
Segundo estimativa dos pesquisadores, 1.800 indivíduos vivem na natureza, mas eles estão concentrados em determinadas áreas – majoritariamente no extremo Oeste Paulista.
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