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Artigo faz distorção sobre impacto ambiental da produção de carne

23/01/2018

Alegando que não há setor no agronegócio brasileiro “que sofra maior preconceito e desinformação” do que a pecuária bovina, em seu artigo “Os falsos pecados da carne”, publicado no sábado na Folha, o agrônomo Marcos Sawaya Jank afirmou que “o repertório de mitos e inverdades” contra a atividade “é longo: danos à saúde, aquecimento global, desmatamento, consumo excessivo de água etc”.
Segundo o articulista, que é ex-presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), essas acusações seriam “facilmente refutáveis com visitas a sites especializados e literatura científica”. Jank, no entanto, não mostra as fontes que sustentariam essa afirmação. Exceto pelos danos à saúde, não faltam estudos científicos nem dados oficiais para mostrar o contrário do que ele afirma em seu artigo.
Na Amazônia, por exemplo, de 1988 para 2017 o corte raso da floresta saltou de 9,5% para 19,7%. Ou seja, mais que dobrou em quase 30 anos, alcançando uma área equivalente à metade do estado do Amazonas ou ao triplo da do Reino Unido. Mais de 60% dessa devastação tem sido impulsionada pela pecuária como mostraram vários estudos, especialmente do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).
Grande parte dessa expansão pecuária tem sido realizado em áreas de desmatamento ilegal. Em março do ano ano passado, durante a operação Carne Fraca, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) desencadeou a operação Carne Fria, autuando 14 frigoríficos no Pará, Bahia e Tocantins, que compraram 58 mil cabeças de gado, produzidas em 26 fazendas com áreas embargadas pelo órgão por desmatamento ilegal.
A atividade agropecuária é a principal origem das emissões de gases de efeito estufa no Brasil, como mostra o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima. Além de suas emissões diretas (22% do total do país), o agronegócio responde também por praticamente todas a emissões por mudança de uso da terra (51%), totalizando aproximadamente 74% do total nacional.
Nas palavras do próprio SEEG: “Se fosse um país, o agronegócio brasileiro seria o oitavo maior poluidor do planeta, com emissões brutas de 1,6 bilhão de toneladas (acima do Japão, com 1,3 bilhão)”.
Em sua edição desta segunda-feira (22), o ótimo boletim ClimaInfo também desconstruiu a desinformação cometida por Jank, afirmando que “o setor agropecuário foi responsável por 69% das emissões brasileiras de gases de efeito estufa em 2015, sendo que, nos anos 90, este percentual chegou a superar 85% do total”. É o que mostra a tabela a seguir, extraída do SEEG.

A matéria pode ser lida em Direto da Ciência

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