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Para expandir a produção de cítricos em áreas rurais fluminenses

10/10/2017

A adoção de novos hábitos de consumo no Brasil, principalmente relacionados a um estilo de vida mais saudável, tem contribuído para incrementar a demanda dos consumidores no mercado da fruticultura. Com uma inegável vocação natural para o desenvolvimento desse segmento, o estado do Rio de Janeiro ainda se vê obrigado a importar de outros estados a maioria das frutas consumidas por cariocas e fluminenses. “O estado do Rio de Janeiro importa, anualmente, mais de R$ 1 bilhão em frutas, em geral, dos outros estados do País, gerando milhares de empregos nesses locais de origem, em vez de gerá-los em seu próprio território”, destacou o agrônomo e pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro-Rio), Alcílio Vieira. O cálculo desse montante foi obtido por meio de pesquisa realizada no Centro Estadual de Pesquisa em Desenvolvimento Rural Sustentável (Ceprus), da Pesagro-Rio.
As frutas cítricas representam bem a subutilização do potencial da agricultura fluminense. De acordo com dados da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Regional, Abastecimento e Pesca, em maio de 2014, a laranja pera foi a segunda fruta nacional mais comercializada na Central de Abastecimento do Estado do Rio de Janeiro (Ceasa-RJ) – tradicional centro comercial localizado no bairro de Irajá, na Zona Norte da cidade –, sendo a maior parte da oferta proveniente do estado de São Paulo. “A maioria das frutas cítricas consumidas no estado do Rio de Janeiro vem de São Paulo, com destaque para a laranja pera. Outras variedades, como a laranja lima e a bahia, importantes pelo valor nutricional e como possibilidade comercial, também ocupam pouco espaço na produção fluminense”, justificou Vieira. “A produção cítrica fluminense vem decaindo progressivamente desde a década de 1990 e, como consequência, vem reduzindo os empregos em toda a cadeia produtiva no estado”, alertou.
Com o objetivo de testar a adaptação de novas variedades em solo fluminense, ele vem pesquisando desde 2006 alternativas para incrementar a produção regional de frutas cítricas – incluindo laranjas, limões, limas ácidas, tangerinas e os híbridos conhecidos como tangores (mistura de tangerina com laranja) e tangelos (tangerina com pomelo). O estudo foi contemplado em edital lançado pela FAPERJ, intitulado Apoio à Pesquisa Agropecuária no Estado do Rio de Janeiro. “A finalidade do projeto é criar uma expertise técnica regional de modo a oferecer a possibilidade de recomendar aos agricultores o cultivo das melhores variedades de frutas cítricas, que tenham comportamento agronômico e comercial superior ao das fruteiras plantadas hoje”, resumiu Vieira.
O agrônomo destaca que se trata de um trabalho de longa duração, e que é preciso pesquisar muitos tipos de frutas cítricas, que só têm uma colheita anual, antes de saber quais serão as variedades que podem se tornar uma aposta recomendável para as futuras safras no estado. “Os resultados são muito locais. Se uma variedade de laranja se adapta bem em uma determinada região fluminense, não quer dizer que ela vá se tornar bem adaptada e lucrativa se for plantada em outra região do estado. Cada região tem condições naturais, de clima e de solo, próprias. Por isso é fundamental investir em pesquisas continuadas”, explicou o agrônomo, integrante do grupo de pesquisadores do Ceprus.

Saiba mais no site da Faperj

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